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NÃO TENHA MEDO DA LIBERDADE - Sri Nisargadatta Maharaj
“As circunstâncias e as condições governam o ignorante. O
conhecedor da realidade não é obrigado a nada. A única lei a que obedece é a do
amor.
O prazer depende das coisas, a felicidade não. Enquanto
acreditarmos que necessitamos de coisas para nos fazer felizes, também
deveremos acreditar que, na ausência delas, seremos miseráveis.
A mente sendo um produto das condições e das circunstâncias,
depende delas e muda junto com elas. O que é independente, incriado, eterno,
imutável, e ainda assim sempre novo e fresco, está além da mente. Quando a
mente pensa nele, ela se dissolve e só a felicidade permanece.
Quando o mundo não o aprisiona, ou limita, converte-se em uma
morada de alegria e beleza. Você pode ser feliz no mundo apenas quando é livre
dele.
O mundo lhe parece tão esmagadoramente real porque você pensa nele
o tempo todo; deixe de pensar nele, e ele se dissolverá numa névoa sutil. Você
não precisa esquecer; quando o desejo e o medo terminam, o cativeiro também
termina. O que cria o cativeiro é o envolvimento emocional, o padrão
estabelecido de gostos e desgostos, o que denominamos caráter e temperamento.
Não tenha medo da liberdade do desejo e do medo. Ela permite que
você viva uma vida tão diferente de tudo o que você conhece, tão muito mais intensa
e interessante, que, verdadeiramente, por perder tudo, você ganha tudo.”
Sri Nisargadatta Maharaj
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“EU” E “MEU” SÃO IDEIAS FALSAS - Sri Nisargadatta Maharaj
Pergunta: Estou muito apegado a minha família e minhas
posses. Como posso dominar este apego?
Maharaj: Este
apego nasce junto com o sentido de ‘eu’ e ‘meu’. Ache o verdadeiro significado
destas palavras e se libertará de toda escravidão. Você tem uma mente que está
estendida no tempo. Uma após outra, ocorrem-lhe todas as coisas, e a recordação
permanece. Não há nada de errado nisto. O problema surge apenas quando a
recordação das dores e dos prazeres passados – que são essenciais para toda
vida orgânica – permanece como um reflexo, dominando o comportamento. Este
reflexo toma a forma do ‘eu’ e usa o corpo e a mente para seus propósitos, os
quais, invariavelmente, consistem em buscar o prazer ou fugir da dor. Quando
reconhecer o ‘eu’ tal como é, um feixe de temores e desejos, e o sentido do
‘meu’ como algo que abrange todas as coisas e pessoas necessárias para o
propósito de evitar a dor e assegurar o prazer, você verá que ‘eu’ e ‘meu’ são
ideias falsas, não fundamentadas na realidade. Criados pela mente, governam seu
criador enquanto este os toma como verdadeiros; quando questionados, se
dissolvem.
O ‘eu’ e
o ‘meu’, tendo nenhuma existência neles mesmos, necessitam do suporte que é
encontrado no corpo. O corpo se converte em um ponto de referência. Quando você
fala de ‘meu’ esposo e de ‘meus’ filhos, quer dizer esposo do corpo e filhos do
corpo. Abandone a ideia de ser o corpo e encare a pergunta: Quem sou eu?
Imediatamente será posto em marcha o processo que trará de volta a realidade,
ou melhor, que levará a mente à realidade. Só não deve ter medo.
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